Pat Sullivan e Otto Messmer (Félix, The Cat)
Criação do cartunista americano Pat Sullivan e animado por Otto Messmer, “O Gato Félix” ficou conhecido como o primeiro personagem duradouro e consistente dos desenhos animados. O desenho conserva o encanto primitivo das produções pioneiras, com seus traços toscos, sem perspectiva e em preto e branco. Famoso por suas metamorfoses e utilização de recursos gráficos próprios das histórias em quadrinhos, como balões de diálogos e onomatopéias. Possuía o seu próprio tema de apresentação musical e canções especialmente compostas para cada estado de ânimo que ele representava.

Winsor McCay
O americano Winsor McCay, continua influenciando artistas de hoje. Trabalhava no New York Herald, produzindo a tirinha “Little Nemo”. Transformou o estilo expressionista em uma forma gráfica de tal forma que, se não tivesse se aventurado pelos caminhos da animação, teria ganho um lugar entre os maiores artistas gráficos do século.
Foi o primeiro a transpor, em 1909, para a tela de cinema personagens animados de seus cartoons : “Little Nemo” e, logo a seguir “Gertie, the Trained Dinossaur”, para o qual utilizou cerca de 10.000 desenhos. Em “Gertie”, McCay alcançou um controle sobre a animação que durante muito tempo não foi alcançado por nenhum outro animador. Começou a desenvolver algumas técnicas de produção, como ciclos e repetições, que são elementos importantes no repertório de técnicas de animadores. Disseminou entre as platéias do mundo a idéia do desenho animado de curta metragem como parte da programação normal dos cinemas.
Max e Dave Fleischer
Os irmãos Fleischer desenvolveram um estilo alternativo ao padrão Disney, como demonstra, por exemplo, o universo surreal de Betty Boop. No início do cinema sonoro, quando a platéia era em sua grande parte analfabeta, foram os Fleischer que introduziram a bolinha animada que acompanhava a letra das canções na tela. Eles criaram desenhos muito populares como Popeye e Superman.
Nos anos 20 e 30, o som praticamente ditou os parâmetros da animação. Nessa época, cada estúdio tinha uma série de filmes de animação musicais: Silly Symphonies (Disney), Happy Harmonies (MGM) e Merry Melodies (Warner) foram algumas dessas séries.
Betty Boop: um dos maiores sucessos
dos irmãos Fleischer

A família Fleischer era musicalmente propensa e muito talentosa em inventar. Max (Viena, 1883) sempre se disse que sua carreira em arte começou cedo, levantou-se de seu berço e rabiscoudesenhos no papel de parede. No início, fazia caricaturas e desenhava para uma revista científica. Seus primeiros filmes de animação foram realizados para o exército. Dave Fleischer (Nova Iorque, 1894) era o técnico da família. Com Max, fundou a Out of the Inkwell Films, produzindo centenas de desenhos até o final da década de 20. Dave era o diretor de todas as caricaturas. Sua abordagem para a vida era completamente visual.
Em 1914, Max trabalhou em Nova Iorque como Diretor de Arte para a revista “Ciência Popular Mensal”. Ele percebeu que podia unir suas duas paixões (caricaturas e mecânica) na animação de retrato em movimento. Max trabalhou na invenção de uma técnica – a rotoscopia -, através da qual o animador analisava cada fotograma de uma ação ao vivo para, depois, aplicar desenhos sobre eles. Ou seja, com esse mecanismo era possível projetar e traçar um livre movimento humano, transpondo-o para um retrato animado um frame de cada vez. Essa técnica foi usada por várias companhias, incluindo a Industrial Light & Magic. Os irmãos Fleischer também utilizaram cenários em três dimensões na produção de algumas animações. Os desenhos eram feitos em acetato e fotografados frame by frame sobre um fundo real que girava, acompanhando o movimento dos personagens.
Em 1924, Max criou a popular bolinha dançante que tinha como função incitar o público a cantar as canções do desenho. Max e Dave foram contratados para trabalhar com John Bray, que tinha um contrato exclusivo com a Paramount. Eles produziram seu primeiro Out of the Inkwell, desenho com Max produzindo e Dave posando com o palhaço Koko, o qual se tornou muito popular e logo ganhou um parceiro, Bimbo. Juntos, os irmãos descobriram o ritmo adequado do mundo irreal dos desenhos. A aceleração da ação contribuía para a comicidade e o clímax do desenho animado, valorizando os exageros e a elasticidade dos personagens.
Os irmãos Fleischer fundaram os Estúdios Fleischer, em 1929, cujos desenhos animados eram distribuídos pela Paramount Pictures. Os Estúdios Fleischer se tornaram um dos mais importantes de seu tempo. Uma das suas grandes criações foi a personagem Betty Boop, com seu jeito de garota independente e provocadora, sempre com as pernas de fora, exibindo uma liga. Entretanto, após 1934, o novo Código de Produção impôs uma censura à personagem. Em nome da moralidade, Betty não poderia mais exibir seus decotes nem suas roupas insinuantes.
Walt Disney
Mais precisamente Walter Elias Disney – nasceu em 5 de dezembro de 1901 em Chicago. O talento e o gosto pelo desenho, demonstrados desde a infância, levou-o a freqüentar a Escola de Belas Artes nessa mesma cidade. Embora os esboços de Disney fossem marcantemente originais, nem sempre correspondiam à expectativa de seus professores. Aos dezesseis anos, tornou-se caricaturista da Tribuna. Em 1920, Walt firmou parceria com o desenhista e amigo Ub Iwerks para trabalharem juntos, e, assim, surgiu a Iwerks-Disney Commercial Artists. A sociedade durou pouco tempo e, no mesmo ano, Disney e Iwerks já estavam trabalhando na Kansas City Film Ad Company, onde puderam aprender as técnicas básicas do cinema e da animação, incluindo o stop-action (consiste em fotografar um quadro de filme e reorganizar rapidamente as figuras articuladas para produzir a ilusão de movimento). Disney, quanto mais aprendia, mais ficava fascinado com a capacidade do movimento de projetar a ação física e externar emoção.
Sempre um experimentador, Disney conseguiu produzir com uma câmera velha da companhia, filmes com qualidade superior (tanto conceitual como tecnicamente) aos que eram feitos na Kansas City. A série Laugh-O-Grams, uma criação de Disney, que contava com o personagem animado Professor Whosis, fez tanto sucesso que ele decidiu se demitir da empresa onde trabalhava, levando junto o companheiro Ub Iwerks. Durante a produção da série de desenhos inspirados no conto Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Walt inventou uma variação inteligente da técnica de Max Fleischer, que consistia na superposição de personagens animados a um fundo real. Disney filmou uma atriz de verdade (representando a Alice) contra fundos animados.
Em Hollywood, Walt Disney e seu irmão Roy Disney abriram os estúdios Disney Brothers, que se tornaram, posteriormente, a Walt Disney Studio. No começo de 1927, o desenho Trolley Troubles, o primeiro da série Oswald, The Lucky Rabbit recebeu muitos elogios da crítica. A produção ficou a cargo de um grupo de cartunistas, dentre os quais destacavam-se Walt e Iwerks. Mickey, o personagem mais famoso de Disney, surgiu em 1928. Como era preciso produzir mais de duzentos metros de filme a cada quinze dias, o ideal era ter um personagem fácil de desenhar. Diz a lenda que, para criar o ratinho, Walt se inspirou em um rato verdadeiro que vivia em seu escritório de Kansas. Assim ele conta: “Os ratos se juntavam em meu cesto de lixo quando eu trabalhava até tarde da noite. Eu os tirava de lá e os mantinha em pequenas gaiolas sobre minha escrivaninha. Um deles era meu amigo”.
Plane Crazy foi o primeiro cartum da série Mickey Mouse, desenhada por Ub Iwerks. O desenho, cujo nome era um trocadilho com a frase “Plain Crazy” (simplesmente louco) mostrava Mickey em um vôo no qual ele fazia trapalhadas. Depois desse, foram produzidos outros desenhos como Gallopin’ Gaucho e Steamboat Willie, cuja trama Disney copiou de um filme de Buster Keaton, Steamboat Bill (1924). No desenho, o rato era um marinheiro a bordo de um vapor em guerra contra o capitão e apaixonado por uma garota.
O desenho Music Land (1935) faz uma paródia da história de Romeu e Julieta, só que os personagens são caracterizados como instrumentos musicais. Para mostrar a separação ente música popular e erudita, Romeu é representado por um saxofone que habita a “Ilha do Jazz”, e Julieta aparece como um violino da “Terra da Sinfonia”. No final, depois de uma guerra entre o jazz e a música erudita, o problema se resolve com a “Ponte da Harmonia”.

Hugh Harman e Rudolf Ising
Entraram para o ramo de animação como colaboradores de Walt Disney em 1922. Eles foram os primeiros empregados e sócios do estúdio Disney em Kansas. Com a falência do estúdio, um ano mais tarde, e a mudança de Walt para Hollywood, Harman e Ising se uniram para produzir filmes independentes. Em 1925, obtendo pouco sucesso em Missouri, o par se uniu novamente a Disney na Califórnia e começou a trabalhar nos primeiros desenhos de Alice Comedies e Oswald the Lucky Rabbit.
Pouco tempo após o desenho sonorizado de Mickey Mouse, em 1928, Harman e Ising decidiram realizar trabalhos independentes juntamente com o produtor Leon Schlesinger, produzindo um filme piloto: Bosko, the talk-ink kid. Uma série de desenhos de Bosko foram vendidos sobre o nome Looney Tunes para a Warner Brothers. Trabalhando na série Merrie Melodies, em 1931, logo tiveram quatro anos de uma satisfatória produção de desenhos.
Uma disputa com Schlesinger levou-os a se separarem da Warner, em 1933. A partir de então, Harman e Ising iniciaram a sua distribuição de desenhos através da MGM, trazendo de volta Bosko, desta vez sonorizado, e mantendo um time de animadores talentosos muito ocupados. De 1934 a 1937, produziram uma nova série intitulada Happy Harmonies. Com o uso do technicolor e grandes orçamentos, esses novos desenhos buscavam atingir a mesma beleza e acabamento dos melhores desenhos da Disney, proporcionando ao estúdio MGM produções de alta qualidade.
Quando a MGM decidiu abrir o seu próprio departamento de animação, em 1937, o estúdio dispensou os serviços da equipe de Harman e Ising. Durante um ano, a MGM produziu uma série de desenhos em preto e branco, denominada Captain & the Kids, enquanto Harman e Ising produziam animações para outros clientes, incluindo Disney.
Harman e Ising foram então recontratados como empregados da MGM em 1939, onde produziram desenhos por três anos consecutivos. Esses desenhos – repletos de contos de fadas, personagens calorosos, agitados e alegres – podem ser considerados a síntese da animação de 1930: objetos inanimados adquirindo vida; estilos musicais variando do jazz ao clássico; querubins com vozes altamente afinadas; cenários idílicos; clímax furiosos e finais felizes.
Hanna Barbera
William Hanna e Joseph Barbera, contribuíram imensamente para a história do entretenimento causando um grande impacto na vida de fãs dos desenhos animados em todo mundo.
Formado em engenharia, Sr. Hanna comçou sua carreira na animação durante o período da Depressão. Algum tempo depois, enquanto trabalhava para a MGM, ele formou a parceria com Joe Barbera – uma aliança que iria durar 60 anos e dar aos dois reconhecimento mundial. O primeiro trabalho quee fizeram juntos foi “Puss Gets the Boot”, onde apareciam pela primeira vez Tom e Jerry, cujas aventuras renderam aos animadores 7 prêmios da Academia.
A especialidade de Hanna era o tino para a comédia – a esta altura ele era o mestre absoluto, como fica evidenciado nos desenhos de “Tom e Jerry”. A dupla foi bem sucedida não apenas nos diálogos, mas também nas bases e no tempo de suas gags, perfeitamente pontuadas pela música e pelos efeitos sonoros.
Quando a Hanna-Barbera Productions abriu suas portas em 1957, estes dois homens desenvolveram um processo de animação que iria revolucionar a maneira como os cartoons seriam produzidos, resultando num modo de produção mais rápido e barato que possibilitou a eles criar, temporada após temporada, as clássicas animações para a TV.
Não demorou muito para o time acumular uma fenomenal grade de shows, desde o ganhador do Emmy “The Huckleberry Hound show” até o amado Zé Colméia e “Quick Draw McGraw”. In 1960, eles obtiveram muito sucesso também com a primeira série animada, Os Flintstones, a inesquecível família da Idade da Pedra que fascinou o mundo e teve suas aventuras traduzidas para mais de 80 línguas. Chegou a tal ponto que Hanna e Barbera puderam afirmar: “A toda hora, todos os dias alguém em algum lugar do mundo está assistindo os Flintstones”.

Nos anos que se seguiram, Hanna e Barbera solidificaram sua reputação de criadores de desenhos de sucesso com filmes como Os Jetsons, Scooby-Doo e Smurfs. Enquanto uma criança crescia nos anos 40 ou nos 80, ou algum ano intermediário, as criações de Hanna-Barbera marcaram uma inegável presença em sua infância.
Informações Tiradas de http://www.eba.ufmg.br/midiaarte/quadroaquadro/
Thiago Botana

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